292km Bike – São Paulo – Itajubá/MG

No carnaval de 2010 eu completei uma travessia de bicicleta saindo da zona Sul de São Paulo até Itajubá/MG, passando pela Rod. Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dutra e cruzando a serra da Mantiqueira na Br. 459. Boa leitura.

Como surgiu a idéia:

Desde de 2009 eu costumo a traçar 3 grande desafios anuais (relacionados a atividade física) e o do ano de 2010 eu escolhi, entrou outros 2, fazer esta travessia de bike.

Porque fazer 3 desafios anuais

Muitos me perguntam o que e para quem eu quero provar com estas aventuras e antes que vcc me escreva perguntando sibre isto ai vai a resposta: Não existe uma unica razão e sim a composição de fatos que, juntos, justificam eu fazer isto:

1) Fim do sedentarismo: aos 39 anos eu estava muito obeso e caminhava a passos largos para o mesmo futuro que meu pai teve: diabetes e algumas cirurgias cardiacas. Antes que qualquer uma destas doenças se manifestassem eu resolvi mudar minha rotina de vida.

2) Disciplina: Treinar para um grande desafio requer muita disciplina e força de vontade. Muitos dias voce está com dor e tem que se submeter a mais uma seção de treinos, se estiver chovendo ou se estiver frio não importa, pois se voce se desculpar com estes interperies nao conseguira superar o desafio maior. E quantas vezes na vida deparamos com situação semelhantes a esta em nosso trabalho, convivio social e familia? Para atingirmos nossos objetivos, em todas as áreas da vida, requer: planejamento e disciplina. Sem os problemas/interperies da vida nos impedirem de continuarmos andando rumo a estes objetivos nós não conseguiremos atingir o desafio maior (promoção, reconhecimento, casamento feliz, filhos amigos, paz, amor e felicidade… ou seja tudo o que sempre procuramos).

3) Auto conhecimento/reflexão: você sabe o seu limite? hoje eu posso dizer que conheço o meu limite e ele esta relacionado ao tempo, aquilo que não consigo fazer hoje, com um planejamento prévio eu conseguirei amanha (independente do tamanho ou se é um desafio físico, ou meta de trabalho ou ate mesmo se estiver relacionado a questões intangíveis). Podemos superar nossos limites a todo tempo, basta olhar para o lado e percebera que existem muitas pessoas indo alem do que você foi, a razão delas terem conseguido isto foi o bom planejamento e dedicação. Nossos limites podem sempre ser explandidos.

Preparação:
Após a definição de metas/desafios o trabalho começa. E não existe tempo a perder, nao existe chuva, nem frio ou calor demais, o que resta é trabalhar duro para poder chegar ao objetivo. Quanto mais treino menos dor e menor o risco de insucesso. Então comecei a pedalar sem parar. No começo da semana eu levava roupas para o escritório, assim tinha a oportunidade de ir pedalando para o trabalho, e sempre recolhia o caminho mais longo e utilizei muito a ciclovia da marginal pinheiros, dica: é show pedalar de manha na ciclovia, sem risco de carros, pouca poluição, plano, seguro entre outras vantagens… Na ciclovia eu treinava de speed, e quando estava afim de variar o caminho fazia de Mountain Bike, devido aos buracos e vias que teria que subir/descer.
No final de semana tentava andar com o pelotão da marginal pinheiros, a galera sai domingo as 08:00hs do Jokey Club e pedalam 45km ou 90km pela marginal pinheiros em ritmo forte (turma dos veio- media de 40km/h)ou ritmo alucinante (equipe pro a 52km/h de media). Eu nao conseguia andar com nenhuma das duas, mas tentava… 😉

Véspera: a véspera da partida e um dia de muita expectativa e como sempre bate a ansiedade para partir logo e isto tem que ser bem administrado, eu já perdi muito sono com minha ansiedade. Procurei ficar tranquilo durante o dia, grande parte já estava tudo arrumado com excessao do gel/carboidratos que eu nao tinha comprado ainda.
Sai do trabalho e passei na Decathlon, conferi a seção de biles, para ver os itens que casualmente eu poderia estar esquecendo e comprei somente o gel e 2 barras de proteína.
Minha estratégia era de nao almoçar e ficar a base do gel, barra de cereal ou carboidratos com muita agua.

O que levar: como eu estava preparado para ficar 14 horas pedalando levei:
1 cateye farol dianteiro
1pisca traseiro
1 cataye velocímetro
9 sache de carboidratos em gel
2 barras de proteína sabor chocolate
5 barras de cereal
2 esquisses de agua, sendo um com isotonico
2 câmaras de ar
1 kit de remendo de pneu
Bomba de encher pneu
Espátulas para troca de Camara
1 ferramenta multifunções
Nao levei remendo de corrente (recomendo)
Capacete
Óculos
Calção de Bike (forro de gel)
Camiseta de Bike
Camisa manga longa -segunda pele pois estava frio
Luva
Sapatilha
2 aparelhos de Celular (corria o risco de ficar sem bateria no iPhone)
Papel
2 comprimidos de Dorflex

Partida:

20110425-164353.jpg

Saindo de SP / Zona Sul – calibrando os pneus

Eu marquei para despertar as 02:00, mas acabei despertando as 01:00 e a 01:30 estava saindo de casa.
Ainda nao tinha enchido o pneu da Bike, passei no posto ao lado de casa e enchi.
Confesso que minha idéia inicial Ra pegar um taxi para me levar ate a saída da cidade, pois como moro na zona Sul da cidade eu teria que atravessar Sao Paulo inteiro para começar a viajar.
Perto de casa tinha um taxi parado, era um Zafira, com boa vontade conseguiria colocar a bike lá dentro, mas quando abordei o motorista ele nao topou me levar… Tudo bem, nada de desamino o que era 30km a mais ou a menos?! Gastei uma hora para atravessar a cidade, estava um friozinho gostoso, coloquei uma segunda pele por baixo da camiseta, isto me salvara do frio e vai ajudar muito nao chuva que cairá.

Após uma hora de pedal você já esta aquecido e também já passou o streess do inicio, gasta-se muita energia no começo, depois vc consegue estabilizar o ritmo e também a freqüência cardíaca.

Ayrton Senna – esta rodovia é muito tranqüila de fazer de madrugada, passam poucos carros, mas eu já comecei a reparar que o fluxo de carros era acima do normal, pois era sexta feira véspera de carnaval.

20110425-164802.jpg

Foto ilustrativa da Carvalho Pinto (tirada após a travessia)

A unica parte da rodovia que necessita de atencao e proximo ao segundo pedagio, onde tem uma grande descida. O problema deste trecho é que nao existe acostamento, e voce tera que disputar 60 cm de pista com os carros que passam por vc a 80km/h.

Carvalho Pinto:
Aproveite esta rodovia pois é tudo de bom pedalar nela, vo e tera amplo acostamento, asfalto sem buracos, grandes extensoes de subidas porem leves, com descidao intervalado para recuperar o folego.
Neste trecho e comum encontrar ciclistas de equipes ou amadores treinando (speed), e o ponto de encontro desta galera e no frango assado, proximo a entrada da Tamoios (Rod. que da acesso a praia -Caraguatatuba/Ubatuba).
Parei por 10 minutos no frango assado, tomei um cafe comi um paozinho de queijo e abasteci a agua, o sol estava nascendo neste momento, um show de visual.
So quem ja pedalou em uma rodovia ao amanhecer sabe o quao bom é curtir o sol ouvir o som do pneu sob o asfalto….

20110425-164315.jpg

Parada no Frango Assado da Carvalho Pinto

Confesso que tudo é alegria.. eu estava um pouco estressado com o tal do ventinho contrario que acaba arrancando 5km/h da media, como eu queria ter alguem para revesar neste momento!!!
Para nao ficar na neura eu focava na paisagem, curtia o momento e quando dei por mim acabou a Carvalho Pinto.

20110425-164216.jpg

Final da Carvalho e inicio da Dutra

Rod. Presidente Dutra

20110425-164421.jpg

Final da Carvalho e inicio da Dutra

Chore!!! Eta rodovia ruim, aqui vc paga seus pecados!
Nas pontes ou viadutos Não tem acostamento, em grande parte dos acostamentos voce teramuitas pedrinhas (asfalto muito sujo), ou entao o pior asfalto ruim, a bike parecia uma britadeira, isto foi proximo a Roseira.

Para ajudar neste trecho eu comecei a pegar uma garoa, estava frio e a minha segunda pele voltou a fazer a diferenca, pois segurou o frio numa boa!

A primeira parada na Dutra, antes do inicio da chuva foi no restaurante Leite ao pe da Vaca, muito bom e recomendo vc tomar o cafe de bule e comer uma fatia de queijo Minas! Uauuu demais!!! Rsss. E como nao podia dispensar mandei outro pao de queijo para dentro, a fome ja estava pegando. Alongamentosssss e passado 10minutos ja estava de volta ao pedal. Dali a pouco comessou a chuva e parava e voltava e isto seria assim ate o final da viagem.

20110425-164451.jpg

Primeira parada na Dutra – Leite ao pé da vaca

Restaurante roseira, onde tem um McDonalds, foi a minha parada, estava saturado da britadeira que. Inha bike se transformou devido ao terrivel asfalto do acostamento, acho que eles cortaram o asfalto para recapa-lo porem esqueceram de alguns kms… Nota zero para via Dutra. Acostamento sujo, ruim e varios trechos de pontes e viadutos sem acostamento!!!

Clube dos 500 – restaurante
Nesta parada caiu a ficha do tanto que eu ja estava cansado!!!
Estava mortinho, nao queria chegar perto da bike! Comprei algo para comer, abasteci de agua (como em todas demais paradas) e quando fui montar na bike me dei mais 10minutos adicionais de descanso, sentei num banco e minha vontade era de deitar e dormir, mandei u Gel para dentro (carboidrato) e aguardei a vontade de pedalar voltar, como ela nao voltou rssss eu montei na bike assim mesmo e fui…. Kkkk

BR459
Acostamento? O que é isto?
Nesta BR isto nao existe, descobri que eu tinha escolhido uma roubada total este trajeto! Andar em uma rodovia que nao tem acostamento é risco e nao recomendo para ninguem! Sai fora disto!

20110425-165339.jpg

Foto ilustrativa da BR459 sem acostamento (tirada após a travessia)

Eu nao estava em condicoes de desistir por este fato e continuei… Parei em Piquete, ao pe da serra da mantiqueira, olhava para aquela imensa serra e nao continuava sem vontade para pedalar rssss. Comi 2 empadas com cafe quentinho uauuu estava muito frio e a minha fome era gigante, foi um manjar dos deuses.
Nao entendia direito porque as pessoas comecaram a me olhar diferente, fui ao banheiro e pensei, ahh meu rosto esta sujo, basta lavar e tudo bem, mas eles continuavam a me olhar diferente,,, so fui descobrir ao final o quao sujo estava minhas costas devido ao oleo do asfalto, minha blusa branca estava preta.

Comprei um gatorade e uma garafa de agua e vamos a serra, minha meta era manter um ritmo de pelo menos 10km/h na serra, e consegui faze-la com 3 rapidas paradas para um gole de agua.

Na subida e preciso muito cuidado pois o asfalto alem de o ter acostamento é estreito! Como nao tem muito movimento dava para perceber a aproximacao de algum veiculo (desligue o som em trechos perigosos, pois isto pode salvar sua vida, alias em uma trip nao tem porque ouvir som, é preciso estar atento o tempo todo ou entao nao vai). Quando um veiculo se aproximava eu me posicionava para nao atrapalha-lo e nunca deixava coincidir dele me encontrar em uma curva (tente pelo menos).

20110425-164553.jpg

Subindo a serra da mantiqueira

Cheguei ao final da serra, foram 17km de subida forte e ainda estava inteiro e muito mais feliz, parei no restaurante da barreira, comi meu ultimo pao de queijo (hua hua hua kkkk), mais um cafezinho, o frio era mais intenso e a chuva estava forte, mas sabia que era some te descida (faltavam 35km sendo 20km de descida), e pedal animado.

20110425-164617.jpg

No alto da serra da mantiqueira

No comeco tem umas grandes retas e é plano, eu estava pilhado e acelerei bastante, chovia muito forte e quando chegou o trecho de descida ingrime tomei o meu maior susto… Ao aprscimar de uma curva fechada, tentei freiar e…. Que nada… A bike nao parava e nao dava para usar muito o freio da frente pois corria o risco de levar um chao… Pensei na hora… Vou para o ralador de queijo ou barranco/penhasco?

20110425-164648.jpg

Foto ilustrativa descendo a serra com chuva (tirada após a travessia)

Nestas horas voce faz seu anjo da guarda trabalhar rssss e o meu entrou em acao gracas a Deus, freio a ar, maos segurao do anjao e consegui freiar um tiquinho para fazer a curva, imagine como desci o resto da serra?? Tartaruga dava seta para me cortar kkkkk, chuva, chuva e mais chuva + frio e sem pedalar comecei a congelar de frio, terminou a descida e tinha is 15k de pedal e final da trip, cansado, com fome, e muito feliz.
No meio da trip eu esbravejei, quando cheguei em casa disse para minha familia, se por acaso eu disser que vou para MG de bike me interne por favor, masss agora ja se passaram 2 meses e relembrando tudo o que ocorreu ja bate uma saudadezinha… Kkkk acho que na proxima irei pela Rod Fernao Dias rssss la tem acostamento, apoio … Estrada bonita, asfalto novinho e limpinho, minha bike esta enferrujando, Bla bla bla

Neste carnaval de 2011 eu gastei 11horas para ir de bike de SP ate Itajuba e minha esposa gastou 10horas para fazer o mesmo trajeto devido ao imenso congestionamento para sair de SP.
Eu cheguei super feliz e ela super estressada
Eu nao gastei pedagio e ela um montao $$$$
Eu nao polui o meio ambiente e ela $&@x

Entao por isto eu tenho que ir novam…. Rssss

20110425-164831.jpg

Após lavar a bike – conferencia de velocimentos (velocidade max)

20110425-165408.jpg

Após lavar a bike – conferencia de velocimentos (distancia percorrida)

Anúncios
Publicado em Aventura, Bike, Travessia | Deixe um comentário

Serra Fina 2010 – travessia dia de Corpus Christ

20110319-192313.jpg

No feriado de Corpus Christ – 2010 (03-junho a 06-junho de 2010) eu completei a travessia da Serra Fina, descrevo o relato desta minha primeira aventura no Montanhismo. O primeiro dia (toca do lobo até o capim amarelo) fizemos a noite, no ultimo dia tivemos complicações com o tempo (chuva e ventos a mais de 80km/h) que tornou a aventura ainda mais desafiadora e complexa… boa leitura.

Serra Fina 2010 - Pico dos 3 estados

“A Serra Fina é uma das regiões menos exploradas da Mantiqueira. No ano de 2000 foi descoberto em seu maciço a 4ª maior Montahha do Brasil, a Pedra da Mina com 2.798m de altitude. Além dela, há outros picos altos que formam esta serra, tendo como os principais: o Capim Amarelo com 2.491m e o Três Estados com 2.656m. Existem três rotas que nos levam até o cume da Pedra da Mina: a norte chamada de Paiolinho, a sul chamada de Toca do Lobo e a leste chamada de Pierre. A travessia completa se faz dos pontos mais extremos da serra que são as rotas Sul e Leste, podendo-se fazer nos dois sentidos, ou também a meia travessia utilizando a rota do Paiolinho.

20110319-191631.jpg

DADOS DA AVENTURA

Expedição: Travessia da Serra Fina
Rota: Lobo > Pierre
Localização: Passa Quatro/MG
Duração da Aventura: 4 dias
Dificuldade: Extra Difícil
Disponibilidade: Toda Semana
Equipe: 8 Pessoas
Ponto de Partida: Triboo!Montanhismo
Rua Francisco Masseli, 340 – Centro – Itajubá – MG”
fonte: www.triboo.com.br

20110319-191755.jpg

1) A Decisão
Eu decidi fazer a travessia da Serra Fina no final do ano de 2009, apos fazer um passeio com a equipe da Triboo/Itajubá (http://www.triboo.com.br) para o Pico dos Marins. No caminho para o Marins, conversando com o Orlando (super gente boa…. além de experiente, em seu CV consta Aconcagua com exito entre outras), ele me mostrou todos os picos que estavam ao redor do Marins e entre muitos estava a Serra Fina.
Eu estava decidido a fazer uma travessia, nunca tinha experimentado este tipo de aventura e a serra fina soava como música para meus ouvidos, pois era de fácil acesso (próximo de SP e de Itajubá), a data coincide com feriado, e a equipe (Triboo) é de extrema confiança. Conversando um pouco mais com o Orlando me senti confortável e confiante de que conseguiria fazer a travessia, pois o Pico dos Marins não é tão light assim para se fazer em 4 horas (com 1 hora de contemplação). Eu ja estava contaminado pelo vírus do montanhismo mas, para fazer com segurança, coloquei algumas metas rígidas de treinamento que caso cumprisse estaria, ao meu ver, fisicamente e mentalmente preparado para enfrentar a travessia, caso falhasse em meus treinamentos eu estava disposto a abortar o projeto.

Serra Fina 2010 - LM - Acampamento 2o dia - Pedra da Mina

Eu iniciei o ano ja com bom preparo físico, em outubro eu tinha pedalado 200km (SP – Campos do Jordão) e também estava correndo semanalmente 30km (3 x 10km) e optei por argumentar o tempo de treino (melhorar o condicionamento aerobico), assim sendo peguei uma planilha de corrida para 1/2 maratona (21km) e segui-a a risca. Como prova de foco eu participei de 2 provas em SP, sendo a primeira os 21km da corpore (2horas 6 minutos) e a segunda foi de 25km da Maratona de Sâo Paulo onde completei com 2horas e 30 minutos.
Roupas/Calçados: Eu precisava de um par de botas novas pois a minha estava um pouco apertada, escolhi comprar a Snake / Columbia e para amacia-la eu retornava do trabalho para casa andando (que são aproximadamente 10km), e usava uma mochila de ataque cheia de livros nas costas rsss.
O restante das roupas eu ja tinha: Calça, secagem rápida com ziper eu ja tinha e camiseta de dryfeet também.
Faltavam comprar também um anorak com um Fleece interno (escolhi o modelo da Conquista) e segunda pele (caça e blusa – comprei da Quechua).

3) Decepção – os primeiros problemas
No dia em que o Orlando anunciou a travessia, através de um e-mail, eu liguei para ele para confirmar minha participação. Orlando enviou novo e-mail para mim onde eu deveria preencher algumas informações para formalizar minha participação. Eu recebi o e-mail porém tive vários problemas em meu trabalho e tive que trabalhar praticamente todos os dias das 07:30hs até as 23:00hs, (inclusive sabado e domingo) e esqueci por completo de enviar o e-mail de resposta para o Orlando. Para ajudar ainda mais tive que viajar a trabalho, fui para Natal / RN as pressas, tudo aconteceu as vésperas de sair para serra fina.
Olha a situação o voo estava agendado para chegar as 02:00hs (da madrugada) em Guarulhos, eu teria que ir até a zona Sul (pegar as bagagens + taxi = 2horas) para então poder pegar meu carro par viajar para Itajubá, ou seja eu estaria saindo de SP por volta das 04:00hs para chegar entre 08:00 e 09:00hs em Itajubá.
A previsão de saida da expedição era as 16:00hs, dormir?! nem pensar!!! Pois chegando em Itajubá teria que preparar a mochila. No sabado eu percebi que tinha uma ligação não atendida do Orlando; pensei: esqueci de mandar o e-mail para o Orlando, vou ligar de volta.
Alo Orlando, tudo bem? aqui é o LM… – Ola LM tudo bem!! Seguinte amigo, voce não confirmou a travessia e eu liguei pois tinha um outro cliente querendo fazer a travessia então liguei para você, como você nao atendeu eu entendi que você não faria a travessia e o grupo agora está fechado. – Não??!!!! nem brinca, sério??? (o erro é todo meu! 😦 – queria morrer – tanto preparo para nada). Eu expliquei o que ocorreu e o Orlando falou que iria conversar com o outro cliente e que existia uma pequena possibilidade de um dos outros integrantes falhar ou desistir (este iria fazer “Bolivia” com a Triboo em Julho/2010), e que eu deveria responder o e-mail e ligar de volta no dia seguinte.
No dia seguinte liguei e o Orlando disse:
– LM se prepara cara… você esta dentro!!! Serra Fina!!!!

Imagine como eu fiquei feliz!!Pirei!!! rsss

4) Preparação / Mochila
Era minha primeira travessia, aluguei todo o equipamento: mochila, barraca, saco de dormir -5 graus, Head Lamp, etc… Minha esposa, grande companheira, comprou toda as comilanças (seguindo check list enviado pelo Orlando), sem ela eu não conseguiria ir 🙂 valeu amor!!!

20110319-191853.jpg
Peguei todos os equipamentos e coloquei tudo dentro da mochila… quando fui pegar assustei com o peso… fui até a farmacia pesar a mochila. Fiquei mais assustando ainda 17kg + algumas 300 ou 400 gramas ainda sem a água que iriamos pegar no caminho/trilha.
Seriam mais 5kg (pois levei 2 garrafas pets de 2,5litros cada). Quando coloquei aquele peso nas costas pensei que poderia ter problemas com tanto peso, mas em nenhum momento passou por minha cabeça desistir mesmo frente aquela dificuldade ou qualquer outra que poderia vir (estava mentalmente forte e preparado para serra fina).

5) Kombosa (acredite: onde ela vai Ocê num vai rsss)
Fomos na super famosa Kombosa da Triboo.. você não acredita onde ela pode chegar, encara caminhos que você pode jurar que somente um 4×4 pode passa… mas de vez em quando “davamos uma ajudazinha” para ela.

20110319-191648.jpg

6) 1º Dia – Toca do Lobo > Alto do Capim Amarelo (2.491m).
Iniciamos a travessia as 22:00hs, ou seja a primeira trilha foi no escurinho….
Uau… foi demais o inicio da travessia e tenso também, pois era a minha primeira experiencia em montanhismo (de verdade) e no escuro deu um clima super… emocionante!
O inicio é 99% de subida, atravessamos uma densa e umida neblina, apos completar 1/3 de trilha paramos em uma mina de água para abastecimento. Não é preciso dizer que aquilo que estava dificil, carregar os 17kg ficou ainda pior apos abastecer com os 5 litros de agua (que pesam mais 5kg), subindo assim para 22kg.
Apos passarmos pela neblina pudemos curtir uma lua, quase cheia, gigante. Apaguamos as luzes das “head lamp” para apreciar o visual noturno que é uma experiencia muito gratificante.

Subindo para o Capim Amarelo

Sobe sobe sobe… quando parece que chegou ao cume…. o Juliano avisa… Nem pense em cair para a direita pois perderá o folego de tanto gritar sem encontrar o chão… (tinha um abismo gigante do lado direito), com a luz da lua dava para perceber quao grande era.

Chegamos no acampamento do capim amarelo por volta das 04:00hs, não tinha nenhuma barraca… Acampamento 5 estrelas – super vip. Montamos nossas barracas, neste momento eu estava molhado e com muito frio, comecei a tremer mais que o normal, pensei: hipotermia??? corri para dentro do meu saco de dormir ( -5 C), comi um sandwich (kkkk não sabia montar o fogareiro é mole???rsss) e durmir bem até as 05:00hs quando nossa amiga Lu começou a gritar: “Que lindo… que lindo”… olha o sol… que lindo… TODOS ficaram quietinhos e continuamos a dormir, moral da história “Somente a Lu viu o sol durante a travessia toda” rssss Se voce visualizar alguma foto que tenha o sol saiba que foi esta foto foi tirada pela Luciana Barreiro na manhã do primeiro dia, pois o restante da travessia foi somente nevoa, perrengue total kkkk.

“O ínicio desta trilha é feito quando atravessamos um belo córrego, onde tomamos uma subida até alcançarmos o alto do ombro sul do Capim Amarelo. Chegando ali, já avistaremos todo o Vale do Paraíba, onde tomaremos o nosso rumo para o norte através de uma fina crista. Podemos optar por captar água após 1:30hr de caminhada, pois há uma nascente ali. Faremos aproximadamente 5:30hr de caminhada até o cume do Capim Amarelo. Uma linda caminhada que poderemos avistar o maciço do Pico dos Marins bem nas nossas costas. Chegando no Alto do Capim Amarelo faremos nosso primeiro acampamento.” Fonte: http://www.triboo.com.br/

20110319-192046.jpg

7) 2o Dia Alto do Capim Amarelo (2.491m) – Acampamento da Asa (2.450m)
Todos que já tinham feito travessia comentavam que o segundo dia era o pior de todos. Eu me preparei mentalmente durante 6 meses para encarar o pior desafio da minha vida e talvez seja por isto que a cada dia eu me sentia tão forte. Para mim o pior dia já tinha passado, que foi o primeiro dia.
Entendo que o primeiro dia foi pior porque a variavel “peso da Mochila” não tinha descido bem para mim. Eu tinha dúvidas se conseguiria carregar aquele peso morro acima. Quando cheguei no primeiro acampamento as dúvidas cairam por terra, eu tinha certeza que conseguiria levar a mochila para onde eu quisesse… com isto em mente “fiquei mais forte” (mentalmente) e por isto os demais dias foram “tranquilos”.
Saimos entre 10:00hs e 10:30hs para a segunda pernada, prevista para 8 – 9 horas de caminhada (acabamos por chegar no acampamento as 18:00hs). Um pouco antes de chegar no acampamento da Pedra da Mina, Hector comentou sobre a queda da pressão atmosférica; —> acho que vai chover Acampamento da Asa ( 2.450m).

20110319-192128.jpg

Sairemos logo cedo rumo aos pés da Pedra da Mina. Do Capim Amarelo já podemos avistar os 2.798m de altitude da Mina. Neste dia faremos uma descida forte sentido norte até alcançarmos uma floresta densa de bambus onde percorreremos um grande colo com capins elefante até alcançarmos um maciço onde tomaremos sua crista leste. Deste alto poderemos avistar o Agulhas Negras e a grande pedra do Picú. Acaminhada deste dia terá uma duração de aproximadamente 7:00hr onde faremos nosso segundo acampamento em um local chamado de Asa, uma área servida de muita água e situada aos pés da face sul da Pedra da Mina.” fonte: www.triboo.com.br

20110319-192224.jpg

8) Acampamento da Asa (2.450m) – Pedra da Mina (2.798m) – Pico dos Três Estados (2.656m)
Acordei super bem, noite perfeita dormi e estava 100%… Acabei levantando no mesmo horário que o Paulão, do segundo dia em diante nós eramos os que primeiro acordava, aproveitei para tirar uma foto do acampamento (vide acima), e de repente ouço o Paulão falar: Um rato… he he he … me ajude a tirar ele daqui… poisé um ratinho entrou na barraca dele… acho que ele dormir abraçado com o ratinho kkkk, lá fui eu ajuda-lo a tirar o cidadão que o aqueceu e depois foi desprezado e expulso da barraca kkkkk.
Após um delicioso nescafé, paozinho, cereais, todynho, bolacha, sucrilhos, e outras coisinhas mais (hehehe … café 5 estrelas), desmontamos o acampamento e partimos para o dia mais light da travessia, apenas 6 horas de caminhada.
Era um dia para se tirar fotos (se não estivesse chovendo), pois passa-se em marcos memoraveis, logo nos primeiros minutos alcaçamos o alto da pedra da mina (encontramos uma tchurminha que havia passado por nós acampados no alto… como eles andaram muito e foram dormir a noite, quando chegamos lá eles ainda estavam dormindo, lógico que nós os acordamos…kkkk).

20110319-192349.jpg

Chegando no cume, assinamos o livro e registramos nossa passagem, estava muito frio e o vento era forte, não demoramos muito e logo partimos pois havia previsão de forte chuva, o ceu estava todo nublado.

20110319-192143.jpg

Era um dia para se tirar fotos (se não estivesse chovendo), pois passa-se em marcos memoráveis, logo nos primeiros minutos alcaçamos o alto da pedra da mina (encontramos uma tchurminha que havia passado por nós acampados no alto… como eles andaram muito e foram dormir a noite, quando chegamos lá eles ainda estavam dormindo, lógico que nós os acordamos…kkkk).

Chegando no Alto assinamos o livro e registramos nossa passagem, estava muito frio e o vento era forte, não demoramos muito e logo partimos, o ceu estava todo nublado.

Mais algumas horas caminhando, paramos para um lanche rápido pois o frio era intenso e o vento começou a se intensificar.

Serra Fina 2010 Lm e Paulão

Este dia reserva alguns pontos de escalaminhada, paredões de pedão que exigem técnica para poder subir, graças a minha infância e brincadeiras não tive tantos problemas nestas escalaminhadas e meus colegas de travessia creio eu que quase todos eram escaladores então a subida foi tranquila para todos, mas… é complicado!!! Quem tem medo de altura, terá problemas! Paredões quase verticais com de 30 metros te aguardam! O segredo é focar no seu quadrado e subir com segurança, nenhum movimento deve ser feito sem antes você saber exatamente onde colocar os pés e mãos para se segurar!

20110319-192237.jpg

Apos atingir uma crista tivemos uma visão maravilhosa: Vale do Ruah! Alguém disse que este lugar era “mágico”, não tenho dúvidas que a beleza do lugar leva a esta definição. É demais!!! muito lindo mesmo!!!

20110319-191821.jpg

Do alto visualizamos que havia alguem acampado neste vale, ao chegar encontramos um casal que estava a 2 dias acampados ali e não conseguiram achar a trilha de saida. Mesmo com um GPS, eles não conseguiram sair! Vale saber que o Vale do Ruah, é muito úmido, na verdade é um verdadeiro “brejo” kkkk, em alguns lugares se você pisar errado afundará até o joelho de barro, e não saberá porque isto ocorreu kkkk aparentemente é chão, mas cuidado com as aparências, as vezes é puro brejo, pise com cuidado (seu bastão ajudará a passar, se ele afundar mais de 20 cm rsss, já sabe).

20110319-191739.jpg


Abastecemos de água, ao saido do vale do Ruah, pois era o último posto de abastecimento até o final da travessia (que iria ocorrer ao final do dia seguinte). Chegamos ao acampamento sabendo que iria chover… foi uma correria para montar o acampamento, e o casal que veio conosco (do vale do Ruah), continuou a travessia com os meninos que acamparam no alto da Pedra da Mina.

Vale do Ruah

Capim de 2metros de altuma torna dificil passar no Vale do Ruah

Eu montei minha barraca em um lugar ruim… fiquei muito inclinado e isto vai gerar problemas durante a noite chuvosa kkkk. A noite foi longa… a mais longa da travessia, eu não preguei os olhos até as 05:00hs, não sei qual o motivo mas não dormi e para ajudar o fato de estar muito inclinado junto com o isolante térmico que é um sabonete quando estamos dentro do saco de dormir eu era “jogado” para o fundo da barraca.
Conseqüência: o contato do saco de dormir com a barraca + chuva = saco de dormir molhado = incomodo total radiante!!! rsss

LM

“Bem cedo deveremos deixar nossas mochilas prontas para galgar um desnível de aproximadamente 400m até o cume da 4ª maior montanha brasileira, a Pedra da Minha.
Caminharemos por grandes lajes até o topo desta bela montanha onde iremos nos surpreender com toda vista panorâmica deste alto. Lá em cima, assinaremos nossos nomes no livro de cume e registraremos este momento único com nossas câmeras fotográficas.
Após uma hora de contemplação iremos tomar a crista leste que desce em direção ao grande Vale Ruah (2.512m). Apartir dali seguiremos margeando o córrego da nascente do Rio Verde em meio aos capins elefantes onde tomaremos uma alta crista a sudeste que nos levará ao famoso Cupim do Boi (2.530m).
Dali faremos uma descida até um colo recheado de bambus onde logo iniciaremos uma rápida subida por um ombro rochoso onde em poucos minutos estaremos chegando ao cume de uma das dez maiores montanhas brasileiras, o Pico dos Três Estados (2.656m).
fonte: http://www.triboo.com.br

9) 4º Dia – Pico dos Três Estados (2.656m) > Fazenda Ecológica Engenho de Serra.

Acordamos, ou melhor o restante da equipe acordou pois eu passei a noite em claro, nao consegui dormi nada. Nao sei se foi devido ao barulho da lona (vento + chuva na barraca), nao sei se foi devido ao fato que eu estava escorregando demais dentro da barraca e acordave sempre com os pes super frios (molhei o saco de dormir).
Mas durante a noite toda chuveu e de manha também estavamos debaixo da maior chuva… nova experiencia para mim: desmontar acampamento debaixo de chuva não é nada legal, imagina você acordar e tomar café dentro da barraca e depois iniciar o aquecimento/alongamento dentro da barraca e logo em seguida sair na chuva… sem falar que teve que vestir roupa molhada do dia anterior…. ECAAAA foi trashhh…..
eu fiz um filminho de madrugada/manhã, quando olhei o filme + minhas olheiras + barulho de chuva + clima Down… não tive coragem de publicar rssss

20110320-100147.jpg

Este dia já havia começado bem… era a despedida da travessia mais dificil do Brasil em alto estilo, chuva e vento forte.

Os comentários da Luciana Barreiro dentro da Kombi de volta para casa retratam o que a equipe passou: Parecia filme de terror.

Não vou dizer que durante a travessia eu pensei assim… pois eu não tinha parâmetros do que era difícil ou “terror”, havia me preparado 6 meses para a experiência mais difícil da minha vida, então tudo era festa, posso dizer que curti cada evento novo da natureza.

20110320-100227.jpg

Neste dia o frio era intenso, andamos por quase 9 horas initerruptas, não dava para parar para comer lanche senão congelávamos.

Para quem esta acostumado a atravessias esta foi classificada como muuuuiittoo dificil, Serra Fina + chuva nao combina!

Muita água, choveu o tempo todo.

Muito vento… em alguns lugares, perigosos por sinal (escalaminhadas) encaramos vento a mais de 80km/h, que nos “jogavam” para a direita (onde haviam penhascos). As botas, impermeáveis, não agüentaram tanta água e terminamos a trilha com alguns litrinhos d’Água a mais nos pés rsss… …

Ao final da expedição eu disse: Serra fina nunca mais. Pura mentira, eu voltarei e quem sabe… com sol 🙂

Participantes da Travessia - Serra fina 2010

Integrantes da expedição: Bruno, Cristiano (Guia, com as mãos levantadas), Hector e esposa, LM, Paulão, Silvia e Luciana (abaixo)

Obs.: No feriado de Corpus Christ 2010 mais de 100 montanhistas tentaram completar a travessia da Serra Fina, somente nossa equipe e outra equipe composta por 4 montanhistas conseguiram completa-la.

Publicado em Montanhismo | Marcado com , , , , , , | Deixe um comentário